• João Ataide

Qual formação dos sêniores que trabalham com ciência de dados no Brasil?

Atualizado: 20 de jun.


 

A pouco tempo me fizeram uma pergunta bastante interessante, "João, como é a situação dos profissionais sêniores que trabalham com ciência de dados no Brasil? Existe a obrigação de ter graduação, pós, mestrado e doutorado para virar sênior?" de prontidão eu respondi que não sabia qual era o estado geral do mercado, mas que em minha bolha a maioria do sênior que conhecia tinham no mínimo uma pós-graduação. Já sobre a necessidade de ter ou não esses níveis de graduação, informei que depende muito da empresa que você está trabalhando ou pretende trabalhar, mas que o que vale mesmo para você ser sênior são três coisas que são: Saber ensinar, tomar decisões minimizando os riscos e com mais acertividade, essa são basicamente duas coisas que se ganha com o tempo de experiência, já o terceiro ponto é o quanto de valor que você retorna para sua empresa, quanto desafios enfrentou e o quanto de problema resolveu.


No entanto, como bom curioso que sou fui atrás dos dados para analisar como está a situação atual do mercado, então peguei aquele questionário promovido todo ano pelo Data Hackers (State of Data Brazil | Pesquisa do mercado brasileiro de dados) e fiz uma análise exploratória e é isso que vou mostrar aqui para você.


Para a pesquisa atual foram realizadas 2845 respostas ao questionário, essa possui exatamente 356 colunas que transmitem diversas informações importantes sobre os cenários. Para minha análise escolhi 4 variáveis, elas as seguintes:

  • id - código unico referente ao pesquisado;

  • Nivel de Ensino - nível de formação do pesquisado;

  • Cargo Atual - o cardo atual se é cientista de dados, engenheiro, estatítisco ...

  • Nível - o nível se junior, pleno ou senior.




Primeira coisa que fiz foi, contar o número de pesquisados que responderam a pergunta do seu nível, que totalizaram para plenos, júnior e sênior respectivamente 658, 621 e 578.


Filtrando somente 578 sêniores do dataset e contando pelo nível destes.



Podemos observar já um ponto importante que a parcela dos sêniores que responderam à pesquisa é muito pequena, quando comparada com os demais níveis de ensino.



E que essa parcela só representa 2.25% de todos os sêniores pesquisados, e que em sua maioria 45,85% possui no mínimo uma pós-graduação.



Os dados anteriores eram sem filtragem, ou seja, representava todos os cargos que trabalham com dados, como engenheiro de dados, analistas de dados e BI. Mas a dúvida em questão é sobre os cenários de para ciência de dados. Então, ao realizar o filtro de cientista de dados, temos que 91 profissionais sêniores responderam o questionário.




E agora olhe que interessante, para os seniores do Brasil que responderam os questionários e trabalham como cientista de dados a maior parcela possui no mínimo 1 mestrado, seguido por pós-graduação e doutorado.


Sendo que somente 2 dos pesquisados não possuíam graduação formal, representando somente 2.20 % dos seniores que trabalham como cientistas de dados do Brasil.





Beleza, penso que respondi agora à pergunta do colega, mas o que isso quer dizer? Será que é de fato necessário formação? E quais são os motivos desse fenômeno que vimos aqui? Saliento que eu não sei dizer o porque, mas se você souber compartilha conosco.


Em meu ponto de vista eu acredito que formação não importa para alcançar a senioridade, porque em um mercado maduro a senioridade é alcançada com tempo e muita "porrada" para ser construída. Então surge a seguinte dúvida: Como formar os sêniores do futuro? Em especial a partir dos juniores que temos hoje em dia.


Pensando bem ... ainda existe algumas outras perguntas que podemos nos fazer, como qual a área de atuação que esses seniores mais graduados atuam e a maturidade dessas áreas? Qual a área de formação deles e se esse são gestores ou não? deixo aí essas outras ideias para você leitor.


Se tiver interesse em ver o notebook que fiz essa simples análise exploratória, clique aqui.